Com menos da metade do efetivo obrigatório, GCM de Araraquara completa 20 anos

Corporação acumula feitos, vitórias e histórias inspiradoras, mas sofre com falta de contratação de pessoal e com pouco investimento do poder público



Araraquara deveria ter entre 200 e 714 Guardas Civis Municipais em atividade, de acordo com a Lei Federal 13.022, o Estatuto Geral das Guardas Municipais, sancionada pela Presidente Dilma Rousseff, em 2014. Porém, com os novos 24 GCMs que concluíram o treinamento no último dia 25, a corporação em Araraquara completa 20 anos de existência com somente 99 agentes, menos da metade do mínimo exigido pela legislação.

Nestes 20 anos, não faltam feitos históricos dos servidores, como desarticulação de sequestro, salvamento de suicídios e até a construção coletiva de uma casa para uma senhora que cuidava de duas crianças e teve seu imóvel destruído.

E eles não fogem à luta. É da GCM o título de segunda maior greve da história da cidade, superada somente este ano pela greve da Educação. Em 2006, praticamente todos os GCMs entraram em greve exigindo adicional de risco ou periculosidade, pelo risco que a atividade traz consigo, e organização de folga mensal. O movimento teve dura resistência da Prefeitura, que cortou salários e benefícios dos grevistas, deixando os servidores completamente desamparados.

Na época, o SISMAR apoiou plenamente o movimento e realizou distribuição de cestas básicas e apoio financeiro aos grevistas. Depois de 75 dias de greve, eles conquistaram os 30% de adicional de risco e a folga mensal.

Entretanto, nem só de vitórias se fez a história da GCM de Araraquara. Além de pessoal, também faltou investimento da Prefeitura na GCM ao longo do tempo: não há treinamento periódico, viaturas decentes foram recebidas há apenas dois anos; armas não letais estão há quase 10 anos sem manutenção; não há escudos para atuação em jogos de futebol, entre outros tantos problemas vividos diariamente pelos GCMs.

Para piorar, se, com uma mão, a Prefeitura deixa de investir na GCM, com a outra ela gasta uma fortuna na contratação de segurança privada não armada. Em 2019, só uma das empresas (GAPS Segurança e Vigilância) recebeu R$ 2 milhões, enquanto para a GCM foram R$ 220 mil. Detalhe: a empresa é ré em mais de uma dezena de processos. Agora, até junho de 2021, dos R$ 769 mil previstos no orçamento para o ano para fortalecimento da Guarda, apenas R$ 87 mil foram realizados, 11% do previsto.

Neste contexto de muita luta, pouco reconhecimento e quase nenhuma valorização, o SISMAR presta sua homenagem aos Guardas Civis Municipais de Araraquara, que mesmo sem condições adequadas cumprem seu trabalho há 20 anos com extrema dedicação e competência, e que na maior parte do tempo carregam a corporação nas costas.

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