Infecção de bebês menores de 1 ano por covid-19 subiu 84% depois da reabertura das escolas

Casos entre crianças e adolescentes cresceram mais do que outras faixas etárias; dados são da Prefeitura de Araraquara



Nos últimos 3 meses, o número de bebês com menos de 1 ano infectados com covid-19 em Araraquara cresceu 84%, segundo dados da Prefeitura.


Desde o primeiro caso da doença registrado em Araraquara, no fim de março de 2020, até o dia 7 de abril de 2021 (mais de um ano de pandemia), 32 bebês com menos de 1 ano de idade tinham sido infectados pela doença. Depois disso, entre 8 de abril e 23 de junho (apenas 76 dias), já foram 27 bebês contaminados.


Não sabemos se há bebês internados, porque a Prefeitura não divulga a idade dos internados por covid-19 na cidade. Até hoje, 24 de junho, não há registro de óbitos de bebês e há apenas um óbito por covid-19 de pessoa abaixo de 19 anos, uma adolescente.


Em geral, o crescimento dos casos nas faixas etárias de 0 a 19 anos, idade escolar foi maior do que o crescimento das demais faixas neste período.



Se as escolas são ambientes seguros, como alega insistentemente a secretária municipal da Educação, Clélia dos Santos e o prefeito Edinho Silva, por que então as crianças e adolescentes se contaminaram proporcionalmente mais do que os adultos e idosos?


Junto com as escolas, a Prefeitura também reabriu praticamente toda a cidade, incluindo cinemas e bares. Pela lógica, já que todos voltaram a circular, os casos em todas as faixas etárias deveriam crescer na mesma proporção. Mas não foi isso que ocorreu.


Entre crianças e adolescentes, a faixa etária e que o número de casos menos cresceu foi entre 1 e 4 anos, com 50% de aumento em 76 dias em relação aos mais de 370 dias anteriores.


De 10 a 19 anos, o aumento foi de 55%. Nas crianças de 5 a 9 anos, o número de casos cresceu 69%. Entre bebês, como já dito, o aumento foi de assustadores 84%.


Já entre jovens, adultos e idosos, o crescimento de casos variou de 35% entre adultos de 30 a 39 anos, a 41% entre idosos acima de 60 anos. Ambos com crescimento muito abaixo do aumento registrado nas faixas etárias de idade escolar.


Não há outra explicação para este comportamento dos números que não seja a reabertura das escolas. A menos que a Prefeitura seja transparente e divulgue caso a caso se as crianças contaminadas neste período estavam frequentando a escola ou não e prove o contrário.


Os servidores municipais da Educação estão em greve desde o dia 5 de abril justamente porque o ambiente escolar é sabidamente inseguro com a pandemia em níveis de descontrole como está em Araraquara desde fevereiro. Os números da pandemia caíram com o primeiro lockdown em relação ao pico, mas após a queda estabilizaram em média ainda muito superior do que os piores momentos de 2020.


A greve é em defesa da vida, não só dos servidores, mas dos alunos e de toda a comunidade escolar. Esta sempre foi a principal bandeira da greve, que tem o apoio de cientistas, políticos, sindicalistas e especialistas, como nunca visto antes.


Mais uma vez, recomendamos ao prefeito que mantenha as escolas fechadas e o ensino remoto como forma de proteger a vida da população de Araraquara.


Caso ele insista na reabertura, precisa saber que será responsável direto por cada caso, cada sequela e cada morte, e que as pessoas jamais esquecerão o sofrimento que está sendo imposto a elas.

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