Com salário de R$ 46 mil, Barroso acha que R$ 4,7 mil é muito para a enfermagem

Se políticos e planos de saúde privados fazem pressão, a categoria também sabe fazer; dia 7, às 9 horas, em frente à Prefeitura de Araraquara, haverá ato da enfermagem em defesa do piso nacional



Não é possível aceitar que no século XXI as pessoas ainda pensem que aumentar salário de trabalhador vai quebrar as empresas ou provocar demissões em massa! Isso era o argumento usado quando se debatia o “fim” da escravidão.

A realidade é e sempre foi outra. A elite econômica não aceita que trabalhadores tenham um mínimo de dignidade e qualidade de vida. Mas, estamos em 2022 e a categoria da enfermagem não vai aceitar calada que direitos sejam retirados por pressão de poderosos.

Dia 7 de setembro, a partir das 9 horas, em frente à Prefeitura de Araraquara, a enfermagem da cidade fará um ato em defesa do piso nacional da categoria. Outras cidades também já preparam suas mobilizações.

A Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, define o salário mínimo como aquele fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas (do trabalhador) e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Porém, este preceito constitucional é continuamente descumprido. Ao ameaçar com demissões em massa e encerramento de atividades por não quererem pagar salários de R$ 4,7 mil para enfermeiros, R$ 3,3 mil para técnicos e R$ 2,3 mil para auxiliares, os planos de saúde e os governantes deste país confessam que precisam explorar esses trabalhadores pagando salários de fome para manterem seus lucros e seu poder.

Para garantir o que diz a Constituição, o salário mínimo em 2022 deveria ser de R$ 6,4 mil, de acordo com o Dieese (considerando uma família com dois adultos e duas crianças). Ou seja, a reivindicação da enfermagem não é por supersalários, férias duas vezes por ano, auxílio paletó ou demissão com salário integral como punição máxima (como é o caso do ministro Barroso). A luta é por um mínimo de dignidade.

E estamos falando das pessoas que mais se expuseram a risco e que mais cuidaram de cada um dos 160 milhões de brasileiros contaminados pela Covid-19.

Em Araraquara, entre 2015 e 2022, estes profissionais da Saúde tiveram 22,7% de reajuste nos seus míseros salários, enquanto os ministros do STF garantiram mais de 36% de aumento no mesmo período. A inflação, neste período, foi de 50% (IPCA).

Aqui, cabe mostrar um dado interessante: com um mês de salário do ministro Barroso dá para pagar o novo piso para um enfermeiro por quase um ano inteiro.

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