Dia internacional das mulheres: pouco ou quase nada a comemorar

Discriminação no trabalho, violência em casa, insegurança na rua e tripla jornada: a realidade da mulher brasileira



Seria o melhor dos mundos aquele no qual não seria necessário ter um Dia Internacional da Mulher, porque seria um lugar de igualdade, de respeito. Mas, o mundo real não é assim.

Precisamos do Dia Internacional da Mulher porque ainda é necessário gritar que as mulheres precisam ser plenamente respeitadas.

Por quê? Vamos lá.

No Brasil, estudo do IBGE de 2019 demonstrou que, apesar das mulheres serem mais instruídas que os homens, elas ganham 23% menos que eles e ocupam menos postos de direção no mercado de trabalho. Nas empresas, elas são as que mais sofrem assédio moral e sexual.

As mulheres também são ínfima minoria na política brasileira e as principais vítimas de preconceito e discriminação. O ataque à deputada Isa Penna em plena sessão da Câmara e o áudio do deputado Mamãe Falei promovendo turismo sexual com refugiadas de guerra são só dois exemplos categóricos.

Ano após ano, os casos de estupro batem recorde no Brasil, inclusive estupro de vulneráveis. Não precisamos dizer que as mulheres é que são as vítimas. Segundo o Senado, além dos estupros, a violência contra a mulher (todo tipo imaginável) também aumentou em 2021.

De acordo com o IPEC, a cada minuto, 25 brasileiras sofrem violência doméstica. Outra pesquisa mostra que uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência na pandemia no Brasil.


Estudos também mostram que as mulheres trabalham entre 4 e 7 horas por semana a mais que os homens, incluindo tarefas domésticas.

O número de vítimas de feminicídio foi recorde em 2020. Houve 1.350 vítimas, segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Por tudo isso, infelizmente ainda precisamos de um Dia específico para gritar: CHEGA!

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